Nasceu
O porquê de ter um blog em 2026
Filha única até os 11 anos de idade, sempre tive um mundo paralelo na minha imaginação.
Os momentos de solidão e tédio, para quem nasceu em uma era sem celulares e internet, sabem do que estou dizendo.
O tédio e a falta de companhia diária me levaram a ser uma criança reflexiva.
Madura para a minha idade, fui encontrando beleza no que eu via.
A realidade não era de luxo como nos filmes e programas de TV.
Mas também não era ruim.
Os livros me fizeram companhia.
As Barbies interpretavam os sonhos.
E a escrita era um desejo lá no fundo.
Sentar em um jardim amplo, com um lago à frente,
e escrever toda a beleza e tristeza que eu via
até a barriga roncar e o céu escurecer.
Ainda tenho esse sonho de menina.
Já adulta, com fácil acesso à internet e trabalhando com moda, eu conheci os blogs.
Eu adorava. Era tão gostoso.
Eu tinha um ritual.
Os blogs salvos na aba de trabalho.
Sentar, abrir todas as páginas obrigatórias e verificar as atualizações.
Alguns tinham dia certo para postar.
Outros eram completamente aleatórios.
E eu não me importava de reler o mesmo texto.
Porque eu já não era a mesma.
Com o fortalecimento das redes sociais, fui parando de consumir blogs.
Mas, depois de décadas, ainda me lembro de como eu me sentia nesse ritual.
É como se eu conseguisse me teletransportar no tempo
e me ver sentada, lendo, com uma xícara na mão.
Quase podendo tocar e abraçar aquela jovem.
Diferente das redes sociais,
não me lembro de nenhum momento ritualístico ou verdadeiramente prazeroso como aquele.
Talvez seja por isso que hoje chamem de dopamina barata.
Tudo é aleatório demais.
A sensação é que cada vez mais perdemos a autonomia de escolher o que consumir.
Como uma máquina caça-níquel em que você nunca sabe o que vem a seguir.
Só que somos nós que apertamos o botão.
Então talvez não sejamos tão vítimas assim.
Criei este blog como um resgate.
Resgate da minha essência.
Resgate do que me faz bem.
Resgate do tempo de qualidade.
Resgate da arte, da beleza e da poesia.
Resgate da profundidade das relações.
Inclusive da minha comigo mesma.
Um processo terapêutico.
Sem olhar métricas.
Sem obrigações.
Sem ganhos monetários.
Sem pressão ou cronogramas.
É para ser leve.
É para ser cura.
Eu acredito que criamos a nossa realidade.
E estou fazendo isso agora.
Acessando uma realidade que valoriza o que vamos construir aqui.
Este é o meu primeiro passo.
Conversando com meu ChatGPT sobre o projeto, chegamos a uma conclusão.
Uma mulher falando em voz alta.
Achei profético.
Um espaço seguro no mundo
onde eu possa ser eu
sem medo de julgamentos.
Minha inspiração é Penelope Featherington,
que criou a personagem Lady Whistledown.
Uma colunista anônima que expõe os escândalos da sociedade,
com sua identidade real sendo um ponto central da trama.
A série Bridgerton, da Netflix, retrata o mercado matrimonial da Regência.
Uma época em que mulheres nobres dependiam do casamento
para garantir posição social.
Reforço que é apenas uma inspiração.
Porque, no fundo, não era sobre casamentos ou fofocas.
Era sobre crítica social.
Uma época em que mulheres não podiam ter opiniões
nem decisões próprias.
Hoje, nossos sufocamentos são outros.
Mas talvez não tão diferentes assim.
Vou documentando curas.
Me curando.
E, quem sabe, curando outras mulheres
que se identifiquem com essa jornada.
Aqui é um lugar para pegar sua bebida,
sentar no chão ao meu lado
e se aquecer com o fogo à nossa frente,
em uma grande roda em volta da fogueira.
Enquanto escrevo, meu útero pulsa.
Eu observo meu corpo.
Ele fala.
O útero é onde gestamos ideias, sonhos e filhos.
O meu está feliz com essa nova gestação.
Eu sinto paz com isso.
Então te convido a respirar fundo.
Você faz parte disso.
Seja bem-vinda.

Que delícia! Eu amei conhecer mais um pouquinho da sua história e estou já querendo resgatar esse tempo e acompanhar tudo. Amei a referência de Bridgerton que tbm assinei assim.
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